Corriam os anos cinqüenta e o desequilibrado clima político do Brasil se vai estabilizando com a chegada ao poder de Juscelino Kubitschek, gerando-se um proeminente desenvolvimento industrial e uma série de obras publicas que culminaram com o traslado da capital para a nova cidade de Brasília. Enquanto, na cidade de Porto Alegre seu governador Leonel Brizola lutava contra o sistema procurando conseguir melhoras para sua cidade; Estes acontecimentos não diminuíram o caráter alegre e otimista da população, especialmente de um grupo de jovens moradores do bairro Jardim Sabará, localizado no coração de Porto Alegre. Eles se reuniam com freqüência em alguma esquina do bairro, num bar para tomar-se um café, umas cervejas, ou na casa de alguns deles para conversar, entoar alguns “Sambas”, ou interpretar esse novo tipo de música chamada “Bossa nova” ao compasso de um violão, um cavaquinho e um pandeiro.

Estas atividades combinadas com as freqüentes partidas de futebol contra equipes de outros bairros lhes geraram a maravilhosa ideia de agrupar-se de maneira que reunisse mais pessoas amigas, especialmente jovens como eles, para confraternizar e unir mais seus vínculos de amizade. Resolveram assim, formar um Clube Social e Esportivo. O dia 1 de Janeiro do ano 1959 fica constituído a associação esportiva “SABARA FUTEBOL CLUBE”;  tendo como presidente o Sr. Eli Viegas de Amorín,  vice presidente o Sr. João,  presidente de futebol o Sr. Adão, Sr. Jerônimo, José Knabben, Oswaldo Mendez, etc. No principio tiveram  como sede vários locais alugados, incluindo um lugar denominado popularmente como “As Sete Facadas”, por sua fama de ser um ambiente onde as reuniões  terminavam em brigas, em alguns casos entre o brilho emitido pelo aço de algumas facas que saíam a reluzir nesses momentos.

Primeiro escudo do Sejarsa. Na época chamava-se Sabará Futebol Clube.
Primeiro escudo do Sejarsa. Na época chamava-se Sabará Futebol Clube.

Os moços usavam primeiramente um campo de futebol que estava no meio de um mato localizado no cruzamento de Guadalajara e Alberto Pasqualini, à altura do hoje Colégio Japão. Pouco tempo depois o clube se translada ao terreno que tem atualmente e muda de nome pelo de “SOCIEDADE ESPORTIVA JARDIM SABARA”. Pelos anos de 196? a diretoria toma posse e converte em sua sede principal uma pequena edificação localizada dentro de seu terreno conhecida como “Caixa de Água” e que fazia muito tempo foi abandonada pela Companhia que Construiu o bairro. Nesse lugar se realizavam atividades sociais incluindo algumas festas, com a finalidade de coletar fundos para comprar uniformes Esportivos e outros implementos necessários num clube.  O clube  tornou se dia a dia mais conhecido pela grande atividade esportiva, causando expectativa entre os moradores do bairro… Pelos anos de 1960 começam se apresentar outros jovens querendo participar esportivamente em algumas das equipes de SEJARSA. Assim, deixando de brincar nas ruas com seus jogos de botão os seus carrinhos de lomba e guardando em seus bolsos suas bolinhas de gude e os piãos, foram chegando novos moços ao clube. Os rapazinhos eram uns mais altos do que outros, alguns magrinhos, outros muito gordos, despenteados, mas todos eles com muitas vontades de jogar futebol; aí estavam com 10, 11, 12 ou 13 anos de idade, Alfio Méndez, Cabelo, Romário, Mario Bottino, Clovis Moreira, Wilmar, Balaio, Orinho. Ari, Jerônimo, Cau, Antonio Teixeira, Deto, Juquinha, Sergio Calvi, Decio Português entre outros. A maioria dos meninos eram vizinhos do bairro, no entanto não tinham amizade, alguns tiveram como carta de apresentação uma tradicional e inócua briga de rapazes… Mas isso ficou de lado quando fizeram parte da equipe juvenil de SEJARSA… Essa amizade se foi fazendo cada dia mais e mais forte. Uma amizade que se mantém até hoje; conseguindo-se assim uns dos objetivos do clube; Formar atletas no meio de um ambiente de camaradagem e confraternização.

Equipe Juvenil de 1962
Equipe Juvenil de 1962, com algumas caras conhecidas nossas, como Álfio, segundo em pé da esquerda para a direita e Angelo (Cabelo), agachado ao centro.

No dia 14 de setembro do ano 1979 foi registrado com o Nº 247819 no Cartório de Registro Especial o novo estatuto do clube, no que se faz constar que, “Por consenso se aprovou a mudança de nome para Sociedade Esportiva Jardim Sabará (SEJARSA)” Ficando assinado pelo então Presidente Do Conselho Deliberativo Sr. Annibal Leonardhi. Também se mudou o símbolo ou emblema do clube pelo que tem até a atualidade.

Primeiro escudo do Sejarsa. Na época chamava-se Sabará Futebol Clube.
Escudo Sejarsa, sigla de Sociedade Esportiva Jardim Sabará, criado em 1979.

A partir dos anos de 1980 o clube começa a ter pequenas transformações quanto a sua infra-estrutura. Pelos anos de 1994 – 95 a cerca de madeira que tinha o campo de futebol é substituída por uma malha metálica e o terreno de jogo começa a ter um melhor cuidado.

Década de 80, construção do ginásio.
Década de 80, construção do ginásio.

O espaço denominado como caixa de água que lhes serviu como sede por 18 anos começou a ficar reduzida, especialmente quando realizavam assembléias, eventos sociais ou alguma festa, pelo que precisavam uma sede mais ampla. Decidiram então realizar festas a fim de coletar fundos para a construção; vendo-se obrigados a alugar os salões de outras instituições como o Grêmio Esportivo Vila Ipiranga mais conhecido como “Ipiranguinha”, o salão da Paróquia São Francisco de Paula e o salão da Igreja Cristo Rei de Jardim Sabará. Com o dinheiro arrecadado compraram todo o material de construção e se aumentou as paredes do local que tinham; o mesmo que era usado para jogar futebol de salão. Assim pouco a pouco e lidando com as freqüentes alças dos preços pela instabilidade econômica da época, chegou-se a terminar o levantamento da obra. No mês de julho do ano de 1989 se leva a efeito a inauguração do salão com uma animada festa.

Baile de inauguração do Ginásio.
Baile de inauguração do Ginásio.

A partir do ano 1999 continua ampliando-se o clube. Junto ao grande salão, edifica-se o que agora é o bar e por suposto uma ampla e tradicional churrasqueira, primordial em todo ambiente Gaúcho de Rio Grande do Sul, onde se reúnem os sócios compartilhando gratos momentos de confraternidade. Assim mesmo, construíram-se quatro vestuários, pois os que existiam precisavam ser renovados e por último se fez o campo de bochas. Não podemos esquecer o incondicional apoio de muitas as esposas dos sócios, quem se encarregavam de ajudar na organização dos eventos, e outras atividades sociais, em alguns casos ajudando com a lavagem dos uniformes e as vezes até remendando alguns fardamentos dos atletas.